Na neuropsicologia, o movimento não é apenas uma função motora, mas um elemento estruturante do funcionamento cerebral. Os movimentos das pernas ativam circuitos que envolvem o córtex motor, áreas pré-frontais e estruturas subcorticais ligadas à atenção, à memória, ao equilíbrio emocional e à organização do comportamento. Essa integração corpo–cérebro sustenta funções essenciais para a autonomia ao longo da vida.
Sob a perspectiva da Psicoterapia Corporal, o corpo é compreendido como portador da história psíquica e emocional do sujeito. O movimento das pernas está diretamente relacionado à sensação de sustentação, direção e segurança no mundo. Quando o corpo se move, não apenas músculos são ativados, mas também registros emocionais e padrões de autorregulação.
Evidências científicas indicam que o movimento regular das pernas aumenta o fluxo sanguíneo cerebral e estimula a liberação de fatores neurotróficos, como o BDNF, fundamentais para a neuroplasticidade e para a preservação das funções cognitivas durante o envelhecimento. A diminuição do movimento, por outro lado, pode impactar tanto a vitalidade física quanto a organização psíquica.
Esse cuidado não deve começar apenas na terceira idade. O envelhecimento saudável é construído ao longo de toda a vida, a partir de experiências corporais que fortalecem o cérebro, ampliam a reserva cognitiva e sustentam uma relação mais integrada consigo mesmo.
Cuidar do movimento é cuidar do cérebro, do corpo e da história que se constrói ao longo do tempo.
Referências
- Diamond, A. (2013). Executive functions. Annual Review of Psychology.
- Ratey, J. J. (2008). Spark: The revolutionary new science of exercise and the brain.

